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Projeto incrementa atividade econômica de Urupema PDF Imprimir E-mail
Sáb, 16 de Março de 2019 01:33

A macieira é, seguramente, o cultivo frutícola mais importante da região serrana de Santa Catarina e dá para arriscar a afirmação de que a maçã é a principal atividade econômica de Urupema. Cultivada em aproximadamente 560 hectares no município, ela reúne cerca de 100 pequenos produtores, além dos médios proprietários de terra e daqueles que trabalham com o processamento de frutas, como agroindústrias ou cooperativas de classificação, embalagem e comercialização, gerando emprego quase o ano inteiro.


 

Em duas “versões” locais, Gala e Fuji, e sob um clima perfeito para o seu desenvolvimento, a maçã comercializada in natura é ainda a que melhor remunera, sendo imprescindível a atenção à qualidade do produto, para que chegue ao consumidor com as características de aspecto, sabor, aroma e durabilidade. Pensando como pequena produtora e ao mesmo tempo aluna do Câmpus Urupema, Ana Carolina Almeida Lima Macedo, protagonizou, ao lado da professora e mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Mariana Dullius, um projeto de extensão visando a melhoria da qualidade da fruta na colheita. “Eu assisti a uma oficina de robótica do Reitoria Itinerante e quando vi o robô pensei na colheita da maçã, pois muitos produtores reclamam que a maçã é de boa qualidade no pé, mas depois de colhida se torna de segunda”, conta a estudante, que ao lado do marido terá sua primeira safra esse ano.

Nesta quarta-feira (31), a aluna apresenta seu trabalho “Melhoria da qualidade de maçãs na colheita”,  na forma de pôster na sala Agostinho Duarte. Ana Carolina já tem planos para, assim que concluir o Proeja (Ensino  Médio), iniciar um Curso Técnico também no IFSC.


Com a mão na maçã


Esse projeto de Protagonismo discente, coordenado pela professora Mariana, e idealizado por Ana Carolina objetiva o compartilhamento e a difusão de informações, técnicas e tecnologias já estabelecidas, de modo a capacitar os produtores com o apoio da Secretaria de Agricultura do município, na pessoa da engenheira agrônoma, Márcia Pinto de Arruda. “Nós nos organizamos e tentamos responder as dúvidas, acompanhamos todo o ciclo da maçã com registro por fotos. Se for seguido corretamente as recomendações para colheita sempre vai dar uma boa safra”, relata Ana Carolina.


Mariana conta que o projeto partiu da ideia da discente protagonista, Ana Carolina, que além de aluna no Proeja-Fic Operador de Computador é também produtora rural e, nesse ano, também está fazendo a sua primeira colheita de uva. “A qualidade da maçã na colheita é o resultado de práticas agronômicas adequadas durante todo o ciclo”, ressalta ela.


Num primeiro momento, o trabalho consistiu na aproximação das comunidades produtoras de maçã para conhecer os principais problemas enfrentados, quanto à questão técnica. Floração, raleio (manuseio para aumento de tamanho do fruto), e controle fitossanitário também foram abordados nas devolutivas com os envolvidos no processo.


Para Mariana, a avaliação da iniciativa deve levar em conta a motivação dos alunos em aprimorar os conhecimentos e investirem na sua formação profissional, bem como pela adesão dos membros da comunidade comprometidos em melhorar os resultados qualitativos dos pomares. “Sem dúvida esse é o início de um trabalho. Além disso, foi preciso formalizar muitos conhecimentos do cotidiano prático. Sem falar que o aluno coloca-se como ‘professor’ no exercício de conseguir transmitir a informação para um público de produtores muito mais experiente que ele”, destaca a professora.


O trabalho, apesar de finalizado para a colheita desse ano, é atemporal e poderá ser aperfeiçoado e utilizado para a próxima safra. “Os informativos serão úteis no auxílio de um novo ciclo produtivo da maçã, 2019 em diante. Já sei que com o término do projeto, a Ana Carolina já vislumbrou a oportunidade de realizar novas intervenções na comunidade dela. Ela quer fazer algo relacionado ao monitoramento da água dos córregos da comunidade dela”, completa Mariana.


Em frente


Ana Carolina aprovou um segundo projeto no Programa Protagonismo Discente e irá agora desenvolver um plano de negócios para uma agroindústria de transformação de maçãs, que possa agregar renda ao produtor e diminuir a dependência dele em relação à indústria para o consumo in natura da fruta. O professor Geovani Raulino será o orientador dessa nova etapa do trabalho.


Por Graziela Braga | Jornalista

 
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