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Câmpus Urupema realiza II Seminário Enologia e Turismo PDF Imprimir E-mail


Na última sexta-feira (2), o Câmpus Urupema do IFSC sediou o II Seminário de Enologia e Turismo, evento que reuniu especialistas brasileiros para atividades sobre os desafios desse mercado de atuação. O tema de 2016 foi “Desenvolvimento Territorial”.



Na cerimônia, a Diretora de Pesquisa e Pós-Graduação do IFSC, Jaciara Zarpellon Mazo, lembrou os desafios da implantação do Câmpus e destacou seus potenciais de investimento que levaram à inauguração da instituição na cidade, principalmente o turismo. “Sempre pensamos em cursos que pudessem agregar ao turismo. É um orgulho para todos, principalmente pra mim que iniciei aqui. Parabenizo a iniciativa do evento, pois é nesse momento que se podem realizar parcerias, mostrar experiências e fazer a região crescer”, diz.

“Nós acreditamos que a enologia e o turismo não podem caminhar de forma separada. E temos uma região com um potencial muito grande, não só para o enoturismo, mas para o turismo rural. É uma grande forma de gerar recursos e trazer riqueza para a região.”, completa o diretor-geral do Câmpus Urupema, Marcos Roberto Dobler Strochein.

Na mesma linha, a Secretária de Desenvolvimento Regional de São Joaquim, Solange Scortegagna Pagani, destacou a importância de eventos como este para alavancar as potencialidades locais. “Acredito que a paixão pelo tema nos dá um grande futuro, pois isso é tradição. Também, através do turismo é possível ter um desenvolvimento sustentável atuando na melhoria de vida das pessoas”, completa.

Palestra de abertura



Abriu o evento a palestra “Enoturismo e desenvolvimento vitivinícola”, proferida pelo empresário Guilherme Grande, proprietário da vinícola Villagio Grando, de Água Doce, Santa Catarina. Ele contou os desafios de investir num negócio em uma cidade pequena (cerca de 7 mil habitante) onde o terroir (conjunto de solo, clima e outras variáveis para a produção de uvas) foi o diferencial para o sucesso.

“Primamos pela busca por embelezar a propriedade. O local era de difícil acesso e o desafio era trazer o turista apesar das dificuldades. Assim, criamos uma harmonia entre vinho, turismo e gastronomia. Hoje, recebemos duas mil pessoas por mês e 30% das vendas dos nossos vinhos são dentro da própria vinícola, sem intermédio de lojas”, explica.

Guilherme afirma que se o local de destino traz criatividade na hora de receber o turista, ele não se importa de percorrer um período maior de estrada. “Nosso foco é proporcionar não só a visita, mas a experiência. O turista de hoje não quer só cama e mesa, quer fazer parte do local, quer interagir. Nós temos na vinícola a oportunidade de o turista fazer o próprio vinho, que ele recebe depois em casa com o rótulo personalizado”, conclui.

Como um empecilho para o crescimento da atividade vinícola, Guilherme destaca, além da insegurança jurídica, pois a legislação do setor muda constantemente, os altos impostos. Em muitos países do mundo, o vinho é taxado como alimento, enquanto no Brasil ele recebe os tributos de bebidas alcóolicas. Em alguns estados, os valores podem chegar a 64% do valor final da bebida em impostos.

Sobrou, e agora?



“Os resíduos na área vitivinícola e seu reaproveitamento e valorização” foi o tema da palestra da pesquisadora Maria Jara Montibeller, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Maria, que nasceu na Itália, contou que a preservação do ecossistema e o uso consciente de resíduos é uma preocupação que faz parte da cultura da região onde viveu até os 10 anos, e que isso a inspirou a trabalhar com esse reaproveitamento quando da época de especialização na área de alimentos.

A pesquisadora trabalha com o reaproveitamento do bagaço da uva após a produção vitivinícola, que soma cerca de 15 a 20% da matéria-prima inicial da atividade. “Meu trabalho é demonstrar que esse material tem potencial econômico”, afirma.

Maria descobriu que o bagaço possui 46% de fibras, 20% de proteínas, 13% de gorduras, 1% de sais minerais, além de outros componentes. Também viu que esse bagaço era usado para ração animal e como fertilizante natural. Porém, comprovou-se por meio de análises que alguns compostos do bagaço não causavam benefícios às plantas e aos animais. “Em compensação, há outros compostos que fazem bem ao homem e isso pode ser utilizado em subprodutos como chá de casca de uva”, conta. Além disso, também há mercado para o óleo de semente de uva.

Aprendendo com o turista



O professor Tiago Savi Mondo, do Câmpus Continente do IFSC, levou ao evento o protocolo TourQual©, uma ferramenta que avalia a qualidade de atrativos e eventos turísticos e é fruto de sua tese de doutorado. A ferramenta já foi usada para avaliar a qualidade de atrativos como o Mercado Público de Florianópolis, a Festa Nacional da Ostra, os jogos Olímpicos do Rio, dentre outros.

A intenção da ferramenta é avaliar questões como acesso, ambiente, elemento humano, experiência, qualidade técnica e segurança. Essas categorias dividem-se em 26 indicadores de qualidade, como preço, atendimento, acessibilidade e localização do atrativo turístico. A avaliação do atrativo, então, é feita por meio de um questionário, no qual os entrevistados indicam sua percepção para cada indicador, escolhendo entre cinco opções: Excelente, Bom, Regular, Ruim ou Péssimo. “o objetivo é tentar melhorar para que o turismo fique mais forte ao longo do tempo”, diz. Tiago explicou que esses indicativos podem ser adaptados para a avaliação de vinícolas. Além dos tradicionais elementos, Tiago chama atenção para outros fatores que podem gerar avaliações positivas para o local, como a tecnologia.

“Hoje em dia é inadmissível não ter internet sem fio nos atrativos. É até uma ferramenta de marketing, pois se você condicionar o acesso à rede com o check-in no facebook você já expõe a marca”, finaliza.

Exemplos que dão certo



Fechando o evento, a enóloga e proprietária da Cristófoli Vinhos e Vinhedos, Bruna Cristófoli trouxe a palestra “Enoturismo de Experiência”. De família de produtores de uvas de Bento Gonçalves, Bruna não se contentou em apenas vender uvas e produzir o vinho e foi atrás de mais produtos para o crescimento da empresa. Dessa experimentação, surgiu o tour de experiência, que transformou a vinícola em atrativo turístico.

“O tour da experiência nos deu um entendimento de que o turismo é um produto que vendemos da mesma maneira que vendemos o vinho. Então, da mesma forma que vamos ao mercado para oferecer a bebida, temos que procurar agências para oferecer o que temos de lazer na vinícola”, afirma.

O tour conta com as atividade Edredon nos Parreirais e o Piquenique. Ela lembra que o que hoje faz sucesso é fruto de muita insistência e de acreditar no trabalho e no potencial do produto. Assim que foi lançado, o Edredon nos Parreirais ficou quase um ano sem vender um pacote sequer. “Imagina se tivéssemos desistido?”, indaga. Hoje é o principal produto da vinícola, que conta com a parceria de outras empresas e já tem um sistema de indicações que ajuda a trazer público para o local.

Essa foi a segunda edição do evento, que foi aberto ao público e contou com a presença de proprietários de pousadas, alunos dos câmpus Lages e Urupema do IFSC e membros da comunidade.

Por Rafael Xavier dos Passos | Jornalista IFSC

 

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